Junta de Freguesia de Paranhos

Quarta-feira, 08 de Setembro de 2010
Costumes e Tradições
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A freguesia de Paranhos é, sem dúvida, uma das freguesias urbanas da cidade do Porto que, ainda hoje, conserva maiores tradições populares.

Os usos e costumes de Paranhos são o retrato, por um lado, das suas características físicas do passado, dos seus solos férteis que proporcionaram a sua natureza rural e, por outro lado, da sua localização que traçou, durante séculos, os caminhos das gentes do Norte que visitavam a então vizinha cidade do Porto. As actuais ruas de Costa Cabral e do Amial representavam, no passado, as principais vias de acesso a Guimarães e Braga, respectivamente.


A transformação urbana da freguesia que decorreu sobretudo na segunda metade do século XX, apagou, de facto, quase todos os traços físicos que caracterizavam a sua ruralidade. No entanto, mais difícil de apagar são os usos e costumes de uma população orgulhosa de nascer, viver e criar raízes em Paranhos.

Os costumes e as tradições desta freguesia assentam sobretudo em características que evocam a sua origem rural e camponesa.

Festas e Romarias 

A primeira festa de que há registo, data do século XVIII e acontecia anualmente no mês de Julho em honra do Senhor da Cruz das Regateiras.

A Festa em Honra de Nossa Senhora da Conceição também chegou a ser celebrada em Paranhos, no dia 8 de Dezembro, com uma procissão da qual participavam os membros da Junta de Freguesia.

Em Janeiro festejava-se o  Senhor Jesus.

A festa de Corpus Christi, da qual há registos a partir de 1845, consistia numa missa sagrada acompanhada com orgão, cânticos, comunhão, consagração e benção do Santíssimo Sacramento. Da Igreja Paroquial saía uma procissão até ao Campo Lindo.

Em 1877 realizou-se pela última vez a festa em honra de Nossa Senhora do Parto.

Durante muito anos realizava-se também a Procissão do Viático, com a finalidade de visitar os entrevados. A procissão passava pelo lugar de Aval de Cima, Viela do Covelo (actual Rua de Bolama), Rua da Rainha( Actual Antero de Quental) e Vale Formoso.

Até finais do século XIX festejou-se também o Senhor dos Passos e a Senhora da Soledade.

Contudo, e desde o século XIX, que a festa mais importante e que maior visibilidade dá à freguesia, é sem dúvida a festa em honra de Nossa Senhora da Saúde.

É nas imediações da Capela de Nossa Senhora da Saúde que se realiza a romaria da Senhora da Saúde, no Largo do Campo Lindo. Em tempos antigos, era também neste Largo que se fazia o sermão do Encontro, de uma procissão tradicional da freguesia.

“No dia da festa da Senhora da Saúde pintavam-se e caiavam-se as casas e estreava-se fato, chapéu e sapatos.”- In Hélder Pacheco, “Porto”.

Ainda hoje, as Festas em Honra de Nossa Senhora da Saúde atraem milhares de visitantes de toda a região norte, a licença que autoriza a realização desta grandiosa festa, data do ano de 1887, ano em que adquiriram a categoria de Festas da Cidade, dada a importância que assumiam na altura.

Antigamente os festejos duravam oito dias, com arraial que durava até de madrugada. Esta era a festa mais concorrida, que desde sempre atraiu muitos forasteiros à freguesia, não só da cidade, mas de outras terras das redondezas.

Da Capela do Amial ainda hoje sai uma procissão em honra de Nossa Senhora de Fátima.

É na Festa em Honra do Sagrado Coração de Jesus que os meninos e meninas fazem a Profissão de Fé.

 Doces Paranhos  

Ingredientes:

Farinha: 2Kg

Açúcar: 500g

Manteiga: 250g

Ovos: 8

Leite: 2 dl

Fermento de Padeiro: 50g

Raspa de limão

Canela: qb

Erva-doce: qb

Açafrão: qb

Sal

Juntam-se todos os ingredientes secos e a raspa de limão num recipiente. Quando os ingredientes formarem uma massa homogénea, faz-se um buraco no centro onde se desfaz o fermento de padeiro com um pouco de água tépida, adicionando o açafrão e o leite. Volta-se a juntar e misturar todos os ingredientes, adicionando aos poucos os ovos batidos, amassando-se muito bem. Aguarda-se que a massa levede. Quando a massa levedar fazem-se bolinhos e leva-se ao forno que já deve estar bem quente. Quando estiverem cozidos, deixa-se arrefecer e envolvem-se na calda de açúcar. A calda de açúcar deve ser feita em lume brando.

Estes doces eram vendidos pela cidade, pelas doceiras de Paranhos no início do século XX. Eram em tempos os doces mais populares da cidade e eram oferecidos como presente às pessoas que não podiam ir assistir às festas de Paranhos. Estavam presentes em qualquer romaria ou festa que houvesse entre o Minho e o Douro do País.

Outra das iguarias que se podia encontrar nas Festas de Paranhos eram as espetadas de porco. A carne era espetada em pauzinhos de salgueiro ou de loureiro e frias à vista dos forasteiros. A última vez que se viu este petisco foi na Feira de S. Miguel.

A matança do porco era outro acontecimento que em Paranhos dava origem a muita alegria e festa, sobretudo nos meses de Dezembro e Janeiro, bem como as desfolhadas, que juntavam gentes das diferentes casas de lavoura nos meses de Verão.

Os Festejos de S. João também se realizavam, faziam-se arraiais nos diferentes lugares que compunham a freguesia, havia fogueiras, música e bailarico. “ De Paranhos eram conhecidas as rusgas que desciam ao centro do Porto, na noite de S. João., bem como uma das mais famosas cascatas da cidade, com movimento, que se fazia na Rua da Azenha. - In Heleder Pacheco, ” Porto.

Lembrarmos esta freguesia, o seu passado e as suas tradições, pode ainda hoje ser espelhado através do Rancho Folclórico de Paranhos que, obedecendo aos seus objectivos, desde sempre tem primado pela autenticidade e qualidade do seu trabalho.

Os componentes são os habituais nas romarias de feição rural: actos religiosos, iluminações, barracas de comes-e-bebes, as vendas mais diversas, fogos de artifício, Zés Pereiras, bandas de música, carrosséis, etc. Era romaria de tradições gastronómicas: havia os doces de Paranhos, que se comiam no local e levavam, ritualmente, para casa, os tremoços de Paranhos, grandes e saborosos, as espetadas, em paus de louro, fritas ali mesmo com gordura negra cuja fórmula ninguém conservou…” - In Hélder Pacheco, “Tradições Populares do Porto”, Editorial Presença, 1985.



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